Estou confuso ainda. Não dá pra saber em quem confiar, mas 400 policiais para prender maconheiros me pareceu demais.
Tentei "investigar", na verdade a gente acaba ficando muito refém das fontes de investigação e assim como muita gente que olha o mundo pelo buraco de uma fechadura, fechadura chamada Veja, Fantástico ou Folha de São Paulo tentei entender os outros lados.
A Lena Maciel, trabalha na Box1824 outra empresa d'OGrupo da Live. E conta um pouco em dois relatos, um relato sincero de quem também estava por fora mas que tem aulas na USP.
1º Relato
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2º Relato
1º Relato
ocupação na USP - coisas que eu vi por Lena Maciel,
terça, 8 de Novembro de 2011 às 16:19
Sou estudante da USP desde 2009, meu número de matrícula é 7193792. Tenho 31 anos, nem sou tão JOVEM assim, mas quem me conhece sabe o quanto eu amo a vida acadêmica e a aura de conhecimento que envolve as trocas dentro de uma universidade. Estudo por amor, pois na verdade, eu já tenho formação profissional que independe da minha formação acadêmica. Eu estudo na FFLCH, local onde teve início toda a questão sobre a ocupação da Reitoria. Na época dos primeiros eventos eu estava em Porto Alegre, portanto não participei de nada, emitir opinião nesse caso, seria irresponsável. Até uma semana atrás, a rotina era normal, aulas no horário, professores marcavam provas, eu escutava algo sobre o debate que estava se estabelecendo só nos corredores, porque conforme falei, eu trabalho e minha vida acadêmica se resume somente ao período em que tenho aulas em sala. Confesso que não fui a nenhuma das Assembléias que os centros acadêmicos promoveram para discutir a questão da ocupação, e além dos papos de corredor eu tive contato com o assunto através da imprensa. Eu, assim como parte dos alunos que estavam lá hoje pela manhã, atônitos, sem poder ter aula, não concordava com ocupação da reitoria e até apoiava a presença da PM no campus. Também não fui a nenhuma das marchas que rolaram ultimamente porque eu detesto clima de violência mas o que aconteceu hoje não tem só a ver com meus direitos de estudante ou meu direito de ser pacifista, mexe com a nossa cultura de cidadania. Hoje, acordei 6hs da manhã para ir até a faculdade fazer prova de Latim (o prosaico cotidiano), quando cheguei no ponto de ônibus escutei na tv do boteco que a PM estava dentro do campus e que o clima era tenso, mas o que eu vi ao chegar na universidade foi assustador. A atmosfera dentro da USP era de repressão e violência. A FFLCH não foi fechada por barricadas de alunos que promoveram tumultos como está dizendo a imprensa em geral. Era impossível ter aula com o barulho insuportável dos helicópteros da polícia que sobrevoavam a faculdade. Os professores tiveram que suspender as aulas porque não tinha o menor clima. Os jovens que fizeram as barricadas na porta da faculdade eram colegas meus com os quais nem tenho muito contato, mas eram PESSOAS que estavam muito assustadas pois foram acordados com pontapés e bombas de gás lacrimogênio às 5hs da manhã, dentro do CRUSP (moradia estudantil), alguns deles já tinham apanhado da polícia e expunham as suas marcas. Fizeram barricadas de cimento porque foi a maneira que encontraram de pedir ajuda , estavam com medo da violência a que estavam expostos e nestas horas, aquele máxima de que somente juntos somos fortes se mostra uma verdade incontestável. Eram 60 estudantes dentro da reitoria. Foram designados para desocupar o prédio: 400 policiais fardados, com escudos, capacetes, fuzis e sub-metralahadoras, a tropa de choque e o esquadrão anti-bombas. Me questiono, sinceramente... 60 estudantes “maconheiros” tem condições de meter tanto medo na polícia de São Paulo a ponto de todo este batalhão precisar ser deslocado? E porque fazer isso 5hs da manhã, quando teoricamente as pessoas estão dormindo e desarticuladas? Eu estudo na USP e acho mesmo que os estudantes que estavam lá não tem nem organização suficiente para lidar com esta força repressiva nem que eles tivessem se organizando por décadas. É DESPROPORCIONAL, só isso. Mesmo que eles quisessem usar os coquetéis molotov que tinham...coitados, não faria nem cócegas. Não está em discussão se “quem começou a bagunça foram maconheiros”. Se o debate fosse tal, este movimento não teria tanto apoio. O que se tem falado é sobre a abordagem da PM para com os estudantes e funcionários, sobre a abertura para um debate de idéias abrangente que, como em qualquer lugar culturalmente rico, e uma universidade se propõe a ser isso, pode ser conflitante algumas vezes, mas é necessário. É disso que a USP está carente. Logo que se iniciou a Assembléia que os estudantes “do movimento” promoveram para discutirmos como conduzir a questão do cerco à reitoria, três viaturas da polícia começaram a rondar a FFLCH. Neste momento, a intenção dos policiais não era de jeito nenhum guardar nossa segurança, mas sim nos manter acuados. Eu, como trabalhadora, fiquei com medo de apanhar (juro!) e resolvi pegar um ônibus para voltar pra casa antes que começasse a manifestação. Quando eu estava no ponto, passou uma viatura da polícia e eu tentei tirar uma foto, um policial passa por mim e diz assim: “guarda a câmera, mocinha”. Eu congelei, o ônibus veio rápido, eu subi e segui rezando. Mas peraí...se o que este pessoal está fazendo é legítimo, para preservar o patrimônio público e blá, blá...porque eu não posso tirar uma foto? Eu não sou de movimento nenhum, mas eu gostaria de ficar tranquila sobre o fato de que a nossa LIBERDADE não será violentada por parte dos funcionários públicos que deveriam garantir justamente que eu não me machucasse. E é isso que os meus colegas estão fazendo agora quando se reúnem em assembléias e promovem protestos pacíficos. Eles estão se articulando sobre um direito que deveria ser garantia de todos, em qualquer situacão, e não só de quem está lá dentro envolvido. Eu, aqui do meu trabalho só posso dizer: Força, turma!!! Diante disso, comentários como esses que eu vi num blog de notícias me deixam estarrecida. Quem alimenta este raciocínio, nunca pode saber quando vai pagar por ele. Hoje, se não fosse o ônibus abençoado, eu poderia ter levado uma paulada de um cacetete, ou ter minha câmera apreendida, tudo pela cultura de violência que se está alimentando nesta cidade. Ilustríssima coronel da PM Maria Yamamoto, estudantes não saem armados de suas casas pra ir até a universidade. A Sra. e sua equipe não precisam de tanta artilharia, pense nisso na próxima vez. O pessoal que invadiu a reitoria, talvez precisasse mesmo de um puxão de orelha, um bom sermão, pode ser que nem todo mundo esteja ali de coração mas o reitor Rodas, o Kassab, o Alckmin (ou quem quer que seja que autoriza este tipo de coisa) estão precisando urgentemente aprender um pouco mais sobre educação e diplomacia.
ocupação na USP - coisas que li e ouvi por Lena Maciel,
quinta, 10 de Novembro de 2011 às 00:59
Diante de alguns comentários dos amigos, resolvi escrever mais um texto contando minhas conclusões sobre as coisas que eu li na imprensa e outras que acompanhei via fórum interno sobre os últimos acontecimentos na USP. Tudo começou no dia 27.10, como já comentei anteriormente eu estava em Porto Alegre neste dia, por isso o que vou contar são coisas que ouvi. Neste dia três alunos que estavam fumando maconha foram abordados por dois PMs que não foram muito educados na abordagem. Diante da cena, amigos e colegas destes três alunos mandaram um “pega leve aí, polícia”, os policiais se irritaram e foram sendo cada vez mais grosseiros, uns alunos se irritaram com a grosseria, o clima esquentou, alguém lançou uma pedra, os PMs reagiram com violência e o lance desandou. Nesta noite, cerca de 100 alunos resolveram tomar o prédio da FFLCH em REPÚDIO AO TIPO DE ABORDAGEM DA PM e não a favor da liberação da maconha. No dia 1 de novembro, os alunos fizeram uma assembléia geral que decidiu pela desocupação do prédio da FFLCH e a retomada das aulas. Nesta mesma assembléia, a maioria dos alunos votou CONTRA a ocupação da reitoria, porém, 60 estudantes mais radicais resolveram que iriam ocupar mesmo assim. Sinceramente, não acho que a ação da PM deva ser nivelada por estes dois policiais que abordaram os alunos, assim como também não concordo que todo aluno da USP seja tachado de maconheiro porque três foram pegos fumando numa noite na universidade. E acho que esta era a opinião geral, até ontem. A intenção destas 60 pessoas era chamar a atenção para o fato de que o reitor João Grandino Rodas se esquiva do debate aberto com os alunos e funcionários e delibera de forma arrogante e arbitrária sobre as decisões da Universidade (este mesmo reitor está sendo investigado pelo MP por corrupção e foi contra uma estação da linha amarela do metrô dentro do campus, porém me eximo de aprofundar este assunto porque não entendo o suficiente sobre eles). Um dos debates que se queria propôr era justamente o convênio entre a PM e a universidade, pois desde a ditadura, existe um decreto que proíbe a presença da polícia em campus universitário devido à morte de estudantes em invasões policiais que visavam conter o movimento estudantil. Para muitos, a presença da PM é considerada um projeto de coação política, muito mais do que uma questão de segurança. Pelo que entendi, o reitor foge do debate direto e toda vez que o bicho pega pro lado dele ele chama a PM para se defender, já aconteceu em 2009, e está se repetindo agora (abaixo coloco alguns links com textos de pessoas que viveram estes acontecimentos mais de perto). Depois da ocupação do prédio da reitoria, fizeram algumas reuniões para negociar e não chegando a nenhum lugar, sem nenhum dos lados ceder ao diálogo, aconteceu o que aconteceu. Volto a frisar que o radicalismo dos estudantes que invadiram a reitoria representa uma minoria, porém a desmedida da ação policial e a postura do reitor em permitir o acontecido provocaram uma reação em cadeia. Ontem, mais de 2.000 estudantes se reúniram em assembléia na USP para votar uma possível paralisação das aulas e hoje os professores também se reuniram em assembléia para definir um discurso sobre o que está ocorrendo. Os estudantes que estavam reunidos eram de diversas unidades da USP e não só da FFLCH, e em sua maioria não eram amigos nem dos estudantes presos, nem dos 60 que promoveram a ocupação. Diante disso, alguém ainda acha que tudo foi motivado pela maconha? Se a questão fosse essa e maconheiros tivessem todo este poder de debate e mobilização, na minha opinião, o negócio já estava até legalizado. A questão é bem maior e a situação no campus não é tranquila. De verdade, eu prefiro que a greve não aconteça a esta altura do semestre, no período das provas finais quando todos já estão ansiosos por férias e paz, por outro lado, também não quero viver num mundo em que se permite que uma universidade PÚBLICA seja administrada por um reitor autoritário e arrogante, que não se dispõe ao debate com os outros setores que compõe a universidade. Aliás, se a situação chegou a este ponto será que ele não tem NENHUMA reponsabilidade? Quando alguma coisa que depende da minha coordenação anda mal, eu me questiono se não deveria ter feito diferente e acho que isto é uma postura correta para quem quer construir um lance pelo coletivo. E até agora eu não li nenhum comunicado da reitoria sobre o acontecido, será que o reitor Rodas é favorável ao tipo de desocupação que a polícia promoveu no campus ontem pela manhã? E por aí o negócio anda mal.
- http://ultimosegundo.ig.com.br/colunistas/mateusprado/conflitos-na-usp-vao-alem-da-presenca-da-policia-no-campus/c1597362040642.html
- http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/rodas-provou-que-merece-o-titulo-inedito-de-persona-non-grata.html
- http://diadegreve.blogspot.com/2011/11/usp-policia-o-futuro.html
- http://www.youtube.com/watch?v=uUgSGS0lUfA
- http://www.youtube.com/watch?v=B5VVR7ZFoXw&feature=youtu.be
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